Neste texto você verá:
• Audiência no Senado relaciona escala 6x1 à violência estrutural contra as mulheres;
• Juvandia Moreira afirma que muitas mulheres vivem jornada “7x0”;
• Dados do DataSenado mostram agravamento da percepção da violência e do machismo no país;
• Contraf-CUT e CUT defendem redução da jornada sem redução salarial;
• Consulta Nacional dos Bancários inclui perguntas sobre jornada e fim da escala 6x1.
A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher (CMCVM) realizou, nesta quarta-feira (6), no Senado Federal, audiência pública para debater a escala 6x1 e as jornadas exaustivas como formas de violência estrutural e econômica contra as mulheres.
A atividade reuniu parlamentares, pesquisadoras, representantes do movimento sindical e especialistas em políticas de cuidado e saúde do trabalhador. O debate foi solicitado pela deputada federal Luizianne Lins (Rede-CE), autora do requerimento que motivou a audiência pública.
Na justificativa do pedido, a parlamentar afirma que a jornada exaustiva “não é apenas uma questão laboral”, mas uma dimensão da violência estrutural que atinge desproporcionalmente as mulheres. O documento destaca que mulheres submetidas à escala 6x1 frequentemente utilizam o único dia de descanso para realizar tarefas domésticas e de cuidado não remuneradas, ficando privadas do direito ao lazer, ao descanso e ao autocuidado.
Juvandia: “Para muitas mulheres, a escala não é 6x1, é 7x0”
Representando a CUT Nacional, a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil, Juvandia Moreira, afirmou que o debate sobre redução da jornada é também um debate sobre saúde mental, igualdade e combate à violência estrutural.
Segundo ela, a sobrecarga enfrentada pelas mulheres ultrapassa a jornada formal de trabalho. “Muitas vezes, a nossa jornada não é ‘6 por 1’, mas sim ‘7 por 0’, porque após o trabalho externo ainda há o cuidado com a casa, filhos, idosos e alimentação”, afirmou.
Juvandia ressaltou que estudos e estatísticas apontam que as mulheres acumulam cerca de 21 horas semanais de trabalho doméstico e reprodutivo, além da jornada remunerada. “Jornadas extenuantes também são uma forma de violência. É urgente reduzir a jornada legal, porque jornadas exaustivas levam ao adoecimento mental e ao burnout”, disse.
Ela também relacionou o tema ao crescimento dos afastamentos por problemas psicológicos. “Dados do Ministério da Previdência mostram que 63% dos afastamentos por motivos mentais neste ano são de mulheres, reflexo dessa jornada tripla”, destacou.
A dirigente sindical defendeu o fim da escala 6x1 com garantia de, no mínimo, dois dias de descanso semanal e afirmou que os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias precisam ser compartilhados com a população trabalhadora. “Reduzir a jornada não corta produtividade: corta desigualdade, corta adoecimento e corta exaustão”, afirmou.
Contraf-CUT: redução da jornada é questão civilizatória
Para a Contraf-CUT, o debate realizado no Senado reforça que reduzir a jornada e combater a escala 6x1 são medidas fundamentais para garantir saúde, dignidade e igualdade às mulheres trabalhadoras.
O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira, o Jefão, afirmou que a audiência reforça a necessidade de tratar a organização do trabalho e violência de gênero como temas inseparáveis. Segundo ele, o movimento sindical tem pressionado o Congresso Nacional para avançar na redução da jornada sem redução salarial. “A luta pelo fim da escala 6x1 é uma luta por saúde, dignidade e qualidade de vida. É uma pauta trabalhista, mas também uma pauta de combate à violência estrutural contra as mulheres”, afirmou.
Luizianne Lins: “O tempo também é um recurso político”
Ao abrir a audiência, Luizianne Lins destacou que a divisão desigual do tempo aprofunda a vulnerabilidade feminina. “Discutir a escala 6x1 nesta comissão é reconhecer que o tempo é um recurso político e que sua distribuição desigual constitui uma forma de violência”, afirmou.
A deputada citou estudos da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) e da Unicamp que mostram que mulheres submetidas à escala 6x1 podem ultrapassar 67 horas semanais de trabalho quando se soma a jornada remunerada ao trabalho doméstico e de cuidado.
Ela ressaltou ainda que a escala afeta principalmente setores com forte presença feminina, como comércio, limpeza, hotelaria e enfermagem.
Pesquisa DataSenado mostra agravamento da percepção da violência
Durante a audiência, diversos participantes utilizaram dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, produzida pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência.
A pesquisa entrevistou 21.641 mulheres em todo o país e é considerada a maior e mais longa série histórica sobre violência doméstica no Brasil.
Entre os dados destacados no debate:
• 79% das mulheres acreditam que a violência doméstica e familiar aumentou nos últimos 12 meses;
• 70% consideram o Brasil um país muito machista;
• 27% das brasileiras afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homem, o equivalente a 23,6 milhões de mulheres;
• 46% afirmam que as mulheres não são tratadas com respeito no Brasil;
• O ambiente familiar aparece em crescimento como espaço de desrespeito às mulheres.
Também foram citados dados sobre os impactos da violência na vida cotidiana das mulheres e o desconhecimento sobre mecanismos de proteção, como medidas protetivas e serviços especializados.
Consulta Nacional dos Bancários inclui debate sobre jornada e escala 6x1
A discussão sobre redução da jornada de trabalho também está presente na Consulta Nacional dos Bancários 2026, organizada pelo movimento sindical bancário. O questionário aplicado à categoria inclui perguntas específicas sobre jornada de trabalho e sobre a importância da pauta do fim da escala 6x1.
A Contraf-CUT orienta que bancárias e bancários participem da consulta, contribuindo com a definição das prioridades da campanha nacional da categoria.
A participação pode ser feita pelo endereço:
https://consultabancarios2026.votabem.com.br/
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