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Sindicatos da FETEC denunciam demissões e fechamentos de agências em Dia de Luta no Bradesco

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Com panfletagem, reuniões e retardamento de abertura das unidades, mobilização em agências da capital e do interior de São Paulo cobra emprego, atendimento de qualidade e respeito aos trabalhadores e à população

 

As agências do Bradesco amanheceram nesta terça-feira (11) como espaços de mobilização e denúncia em diversas regiões de São Paulo. Sindicatos da base da FETEC-CUT/SP participaram do Dia Nacional de Luta, levando às ruas e aos locais de trabalho o debate sobre os impactos da política de redução de custos adotada pelo banco sobre os trabalhadores, os clientes e os municípios onde atuam.

A mobilização contou com a paralisação e retardamento da abertura de diversas agências, além de reuniões com funcionários e a distribuição de um Infopress, denunciando a contradição entre os resultados financeiros da instituição e a realidade enfrentada pela categoria nos locais de trabalho.

No primeiro semestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, em 12 meses, foram eliminados 2.448 postos de trabalho e 324 agências foram extintas.

“Esta atividade é importante porque coloca trabalhadores e população lado a lado para dizer ao Bradesco que não aceitamos que o lucro venha acompanhado de demissões, fechamento de agências, sobrecarga e precarização do atendimento. Os bancos têm uma responsabilidade que vai muito além dos seus resultados financeiros, são instituições que operam por meio de concessões públicas e, por isso, precisam ter compromisso com a sociedade, com os trabalhadores e com a qualidade do serviço que oferecem”, afirma Ana Lúcia,secretária geral da FETEC-CUT/SP.

Modernização para quem?

Para os sindicatos, a digitalização poderia representar avanços importantes, desde que utilizada para melhorar os serviços, reduzir a sobrecarga e ampliar as possibilidades de atendimento.

“O problema está em transformar a tecnologia em justificativa para retirar trabalhadores das agências e transferir para os clientes a responsabilidade e o custo por operações que antes contavam com suporte presencial, mesmo quando uma parcela considerável da população não possui familiaridade, acesso ou condições adequadas para utilizar esses canais”, destaca Ana Lúcia.

Em muitos municípios, a unidade bancária também representa um serviço essencial para a população e movimenta a economia local. Quando ela fecha, clientes são obrigados a se deslocar para outras cidades e o comércio local perde circulação de recursos. Ao mesmo tempo, a redução das equipes produz um ciclo perverso: menos bancários para atender uma demanda que permanece alta, mais tarefas acumuladas, cobrança permanente por metas e maior exposição a situações de pressão e adoecimento”, acrescenta a dirigente.

Emprego e agências na mesa de negociação

A mobilização ocorre em um momento estratégico da Campanha Nacional dos Bancários. Na quinta-feira (13), o Comando Nacional dos Bancários realiza a sétima rodada de negociação com a Fenaban, colocando novamente em pauta reivindicações que estão diretamente relacionadas aos problemas denunciados nas agências.

A defesa do emprego, o combate ao fechamento de agências e a valorização da categoria estão entre as prioridades do movimento sindical. A reivindicação é para que os ganhos de produtividade e os resultados expressivos apresentados pelos bancos sejam compartilhados com quem sustenta diariamente o funcionamento do sistema financeiro.

Segundo Ana Lúcia, a mobilização desta terça-feira também reforça a necessidade de discutir qual modelo de sistema financeiro está sendo construído.

“Modernizar não pode significar simplesmente fechar portas, reduzir equipes e dizer ao cliente que ele precisa resolver tudo sozinho pelo celular. A tecnologia deve estar a serviço das pessoas, e não ser utilizada para retirar direitos, eliminar empregos e transferir custos para trabalhadores e usuários”, acrescenta.

Fonte: FETEC-SP


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